sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Hasta

Desisti de encontrar uma solução para escoar o excedente de tracejados. Reconheci que não podia fazer mais nada que fosse razoável. Talvez no futuro, uma solução me bata à porta, ou talvez nasçam e cresçam uns quantos ratinhos na minha arrecadação que apreciem a minha grande obra. Assim, continuem a fazer como até aqui; não visitem o soalho. Provavelmente não encontrariam notícias boas ou más.
Fazendo um balanço, que, como o vejo agora, é final, devo dizer que foi muito giro todo o processo. Fico contente de pensar que uma série de pessoas quiseram mesmo ter o meu livro. Algumas por gostarem de ler, ou mais ou menos, o que lá está escrito, outras apesar de acharem tudo aquilo uma grande treta. Todas as manifestações de apreço, independentemente das motivações individuais, deixaram-me contente.
A edição de autor, embora possa significar que nenhuma estrutura editorial nos quis apoiar, pode ser, e foi para mim, uma experiência que vem demonstrar que, com vontade e algum esforço, podemos levar a cabo um projecto que, embora pequenino, tenha pés no sítio dos pés e cabeça no sítio da cabeça. Agradeço mais uma vez o apoio de todos, desde os que compraram e/ou estiveram presentes na sessão de lançamento, aos técnicos que me deram dicas, lá está, técnicas, etc, passando, e parando para um abracinho bom, pelo meu pai que, bem feitas as contas, vendeu, na festa de lançamento e lá na terrinha, a maior parte dos tracejados, e, é claro, pelo meu colaborador mais directo neste projecto, o responsável pela edição, que é também o meu colaborador na vida.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Sucedeu

A operação plano mau resultou num grande sucesso. Ou seja o plano mau provou por a + b + c + etc ser um plano mau. Portanto as expectativas foram correspondidas, se não mesmo superadas. A operação foi abortada, ou pelo menos adiada sine die. Talvez me lembre de tentar outra vez, quando já não me lembrar tão bem quão mal correu. Não sei.
O plano constituía em escoar os 100 tracejados (aprox.) que relaxam numa caixa de papelão lá no -2. O escoamento seria feito lentamente, lenta e dolorosamente, dia após dia. O objectivo era escoar um tracejado por dia. Como? Ya, abordando uma pessoa na rua, de preferência que tivesse ar de quem se pudesse interessar.
Naquele primeiro dia, no jardim, não via ninguém que me parecesse minimamente disponível para ser abordado por uma estranha. Vi uma Sra, a Sra do Jardim e fui até lá. Pouco tempo depois de estar a introduzir o meu assunto, reparei que estava a ler uma revista religiosa. E pensei, ok, tens o que mereces, depois de lhe dares seca a ela, ela vai dar-te seca a ti. Mas não, a Sra do Jardim era simpática, leu um texto do Tracejado, disse que gostou, lá está, mas depois esclareceu-me que os seus temas de leitura eram, de facto, outros, que gostava daquelas revistas e da Casa Cláudia.
No segundo dia, encontrei no jardim um Sr com um ar simpático e com um chapéu. Dirigi-me a ele e, à quarta tentativa, sem que ele me compreendesse, tentei o inglês, mas o resultado não foi melhor. O Sr tinha dificuldades de audição avançadas. Mas era, sem dúvida, simpático. Leu três textos do Tracejado, disse que gostou e prometeu ficar com um noutro dia, que naquele não lhe dava jeito. Ficámos uns bons dez minutos a discutir critérios urbano-paisagísticos e a falta deles. Ele falava muito. Eu tentava que ele me percebesse recorrendo a gestos e a uma expressão labial eficaz.
Entre o jardim e a casa, encontrei um Sr novo de gravata, Sr da Gravata, que em vez de poucos, leu um bom número de textos, quase a parecer que estava a gostar. Mas, depois de cada um que lia, dizia "isto é... introspectivo"... num tom que parecia uma acusação. Não lhe disse, mas pensei que se prefere temas mais "extrospectivos", deveria ir para casa rapidamente porque deveria estar a começar o telejornal. Disse-me que não tinha dinheiro, é possível, mesmo que se ostente uma gravata. Eu dei-lhe o livro. Ele passou o dedo numa manchinha do branco do Tracejado, e eu ainda me desculpei. Decadente. Praticamente, convenci-o a aceitar de graça a porcaria do objecto. Na altura, pareceu-me, sei lá porquê, uma boa coisa para fazer. Mas passou-me depressa. Que leia quem goste. Quem goste que compre. Nunca esquecendo que eu vendi à família e aos amigos, que sentido pode fazer dá-lo agora ao Sr da Gravata, desconhecido, que passa a mão sobre a manchinha? Não vou repetir a gracinha. Mesmo tendo em conta que não tenho nenhum outro plano, bom, mau ou mais ou menos.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A caravana passa?

A velha história da feira da ladra fez-me ligar hoje para a DGFVACNS (indicada pelo Pedro nos comentários do “São coisas” aqui do soalho – obrigada once again).
Pois bem, liguei. Obtive / confirmei informações muito inspiradoras. Assim, a Sra do DGFVACNS, e não vou dizer que é simpática, que tem poderes de bom entendedor, ou que ouve especialmente bem, disse-me que uma pessoa (activa e da minha idade), para vender temporariamente (durante um mês) na feira da ladra tem de ir às finanças, inscrever-se na actividade de feirante e, talvez, pagar uma quantia desconhecida, após o que deve ir à DGAE e pedir um cartão, pagando 15€, com esta documentação, deve então ir à DGFVACNS (onde terá, quem sabe, o prazer de conhecer a Sra da DGFVACNS) e pagar mais 15€ e uns trocos.
E só pode vender coisitas usadas. Os tracejados do -2 não são. Se eu me decidisse a pagar este dinheirão todo e a perder tempo, paciência e sabe-se lá mais o quê, ia até pedir aqueles de vocês que, por acaso, compraram o tracejado que o trocassem por um novo, para eu poder vender o vosso usado na feira. Mas nã. Não me parece.

Rentrée

Visitei a Apolo 70. Fui para aqueles lados e aproveitei. Aproveitei para procurar o tracejado nas prateleiras. Não encontrei. Procurei melhor. Não encontrava. Ora bolas, pensei ou disse, se ele estiver à vista, já ninguém o quer; se não estiver, ninguém pode, sequer, não o querer. O meu livro tem direito a não ser querido. Penso eu, escrevo eu. Perguntei ao Sr da livraria se, de facto, como parecia, o meu livro não estava exposto nas prateleiras. Ele consultou o sistema e depois conduziu-me até à prateleira onde estavam intactos todos os cinco livros que lá deixei. Assim está bem.
Há muito tempo, quando escrevi no soalho a última vez, disse que tinha um plano, mau, mas um. Não vos posso dizer que funcionou; ou que não funcionou. A ideia era escoar. Mas não o apliquei… ainda. Parece cada vez mais um mau plano, mas isso não é suficiente para me demover. Hei-de voltar a este assunto e, independentemente do sucesso ser nulo ou tocar as franjas do miserável, eu conto.
A Câmara de Santa Comba nunca mais me disse nada. Mostrou-se disponível, eu enviei o material a ser usado na promoção do tracejado, e, que eu saiba, não aconteceu mais nada. Espero agora resposta à mensagem que lhes enviei perguntando qual era e onde estava o ponto da situação.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Poesia Incompleta

Ontem recebi uma mensagem da Poesia Incompleta, um dos POS do Tracejado, a informar-me que, imaginem, foi vendido um exemplar. Ah é claro que fiquei contente. Não sei quem comprou ou porquê. Mas imagino o melhor cenário. Aliás, todos são bons. Mesmo que tivesses sido tu, só para eu ficar contente, era giro. Obrigada, de qualquer forma.
Entretanto tenho um plano para escoar os Tracejados que tenho no -2. Não é genial. Mas é um plano. Como não é genial, e pode nem resultar, não vou contar já…
É claro que não tenho medo de me expor, a mim e às minhas ideias, mas, desta vez, vou experimentar primeiro, e comentar depois.
Um desconhecido simpático enviou-me também algumas dicas, que vou ter em consideração. Obrigada.
Tenho também trocado mensagens com a Câmara Municipal de Santa Comba Dão que, entretanto afirmou que me apoiaria na promoção do livro por lá. Mandei material, aguardo avanços.
Enviei mensagens a várias bibliotecas a oferecer o livro. Ninguém respondeu. É engraçado. Só a de Santa Comba se mostrou receptiva.
Não me lembro de mais nada para contar. Acho que não há mais nada para contar.
Ah… vi ontem o Sr. da Gráfica, muito simpático como sempre.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Afastamento

O soalho já tem pó. E não tarda a capa branca dos tracejados amarelecerá… hum… tornar-se-á uma espécie de um clássico, uma espécie de documento valioso e raro (excepto na minha arrecadação). Estive afastada do processo tracejado. (bem… processo à partida é algo que evolui…) Agora voltei, mas a posição continua a ser de afastamento. Eu sei lá o que hei-de fazer. Feira da Ladra continuaria a ser uma hipótese, se não de sucesso comercial, pelo menos de diversão, mas li que já não permitiam a venda de artigos novos. Posso sempre ler e mexer nos tracejados e torná-los usados.
Mas vou tirar isto a limpo. Vou ligar agora para a Câmara Municipal de Lisboa. Já vos digo. Não digo. O número das informações úteis terá talvez um horário menos alargado ou assim. Depois insisto.
De resto, o paizinho lá vai vendendo, espero que ele não esteja a usar tácticas de marketing demasiado agressivas.
Isto é um bocado estranho: já quase ninguém se lembrava de mim lá na terra. Agora apareço com um livro que sabe-se lá o que lhes parece. Talvez não tivesse sido pior continuar no esquecimento do que surgir do nada com um livro sobre nadas, ou sobre coisas estranhas, ou sei lá o que alguém que por lá o leia pode pensar. Por lá e por cá. Não é que me aflija que alguém não goste do meu livro. A cena é que eles o compraram por algum tipo de afinidade comigo ou com o meu pai. Para mim a lógica simples da coisa seria: cada potencial comprador dava uma olhada no livro, se gostasse comprava, se não, não. Claro que nesse caso teria não uma, mas três caixas de livros na arrecadação.
O jornal Defesa da Beira publicou qualquer coisa sobre o tracejado. Ainda não sei o quê, mas obrigada.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

São coisas

Fogo! Eu queria mesmo ir à Feira da Ladra amanhã tentar vender uns Tracejados, mas fui confirmar e é mesmo preciso ter licença. Coisa chata! Eu acho que ia ser giro. Provavelmente não ia vender nada ou quase nada, mas acho que me ia divertir a tentar.
Agora não vai mesmo dar para ir amanhã, acho que a polícia leva aquilo da licença a sério e passam multas. Não tinha graça.
Talvez vá noutra altura, se me der ao trabalho de ir tirar a licença. Embora creia que seja baratinha, é capaz de não compensar, tendo em conta as perspectivas de escoamento…logo se vê.
Entretanto vou pensando noutras maneiras de desocupar aquele espacito lá na arrecadação. Eu sei que se me esforçar por dar uns quantos talvez consiga, mas vendê-los era a ideia original, embora não seja uma ideia particularmente original nos tempos que correm em que tudo gira à volta do comércio. Terei sido contagiada? Eu bem tento ser uma gaja alheada desta teiazinha à nossa volta, a sociedade, o bicho, mas acho que de vez em quando lá vou ganhando uns tiques, de modo que às vezes até pareço normal.
Eu sabia que isto ia acabar por acontecer… o Tracejado vai morrendo nas prateleiras das livrarias e na caixa de papelão do -2 e eu aproveito para falar de mim, como se isto fosse um diário. As minhas desculpas.
Dizia que vai morrendo, mas também não é bem assim que o meu pai esforça-se por lhe prolongar a vida. Continua a vender lá na aldeia. Eu nem sei, qualquer dia chego lá e oiço o meu nome aclamado em uníssono ou então nem entrar me deixam, a não ser talvez mediante a promessa de um reembolso.
Isto na aldeia de Pinheiro de Ázere. Na cidade de Santa Comba Dão, a Enseada só vendeu um dos meus livros, no primeiro dia, e já sei a quem, a um amigo que achou que talvez fosse meu e comprou pelo sim pelo não.
Como um é pouco, pedi o apoio do jornal “Defesa da Beira” para a divulgação da coisa. Aguardo.