segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Sucedeu

A operação plano mau resultou num grande sucesso. Ou seja o plano mau provou por a + b + c + etc ser um plano mau. Portanto as expectativas foram correspondidas, se não mesmo superadas. A operação foi abortada, ou pelo menos adiada sine die. Talvez me lembre de tentar outra vez, quando já não me lembrar tão bem quão mal correu. Não sei.
O plano constituía em escoar os 100 tracejados (aprox.) que relaxam numa caixa de papelão lá no -2. O escoamento seria feito lentamente, lenta e dolorosamente, dia após dia. O objectivo era escoar um tracejado por dia. Como? Ya, abordando uma pessoa na rua, de preferência que tivesse ar de quem se pudesse interessar.
Naquele primeiro dia, no jardim, não via ninguém que me parecesse minimamente disponível para ser abordado por uma estranha. Vi uma Sra, a Sra do Jardim e fui até lá. Pouco tempo depois de estar a introduzir o meu assunto, reparei que estava a ler uma revista religiosa. E pensei, ok, tens o que mereces, depois de lhe dares seca a ela, ela vai dar-te seca a ti. Mas não, a Sra do Jardim era simpática, leu um texto do Tracejado, disse que gostou, lá está, mas depois esclareceu-me que os seus temas de leitura eram, de facto, outros, que gostava daquelas revistas e da Casa Cláudia.
No segundo dia, encontrei no jardim um Sr com um ar simpático e com um chapéu. Dirigi-me a ele e, à quarta tentativa, sem que ele me compreendesse, tentei o inglês, mas o resultado não foi melhor. O Sr tinha dificuldades de audição avançadas. Mas era, sem dúvida, simpático. Leu três textos do Tracejado, disse que gostou e prometeu ficar com um noutro dia, que naquele não lhe dava jeito. Ficámos uns bons dez minutos a discutir critérios urbano-paisagísticos e a falta deles. Ele falava muito. Eu tentava que ele me percebesse recorrendo a gestos e a uma expressão labial eficaz.
Entre o jardim e a casa, encontrei um Sr novo de gravata, Sr da Gravata, que em vez de poucos, leu um bom número de textos, quase a parecer que estava a gostar. Mas, depois de cada um que lia, dizia "isto é... introspectivo"... num tom que parecia uma acusação. Não lhe disse, mas pensei que se prefere temas mais "extrospectivos", deveria ir para casa rapidamente porque deveria estar a começar o telejornal. Disse-me que não tinha dinheiro, é possível, mesmo que se ostente uma gravata. Eu dei-lhe o livro. Ele passou o dedo numa manchinha do branco do Tracejado, e eu ainda me desculpei. Decadente. Praticamente, convenci-o a aceitar de graça a porcaria do objecto. Na altura, pareceu-me, sei lá porquê, uma boa coisa para fazer. Mas passou-me depressa. Que leia quem goste. Quem goste que compre. Nunca esquecendo que eu vendi à família e aos amigos, que sentido pode fazer dá-lo agora ao Sr da Gravata, desconhecido, que passa a mão sobre a manchinha? Não vou repetir a gracinha. Mesmo tendo em conta que não tenho nenhum outro plano, bom, mau ou mais ou menos.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

A caravana passa?

A velha história da feira da ladra fez-me ligar hoje para a DGFVACNS (indicada pelo Pedro nos comentários do “São coisas” aqui do soalho – obrigada once again).
Pois bem, liguei. Obtive / confirmei informações muito inspiradoras. Assim, a Sra do DGFVACNS, e não vou dizer que é simpática, que tem poderes de bom entendedor, ou que ouve especialmente bem, disse-me que uma pessoa (activa e da minha idade), para vender temporariamente (durante um mês) na feira da ladra tem de ir às finanças, inscrever-se na actividade de feirante e, talvez, pagar uma quantia desconhecida, após o que deve ir à DGAE e pedir um cartão, pagando 15€, com esta documentação, deve então ir à DGFVACNS (onde terá, quem sabe, o prazer de conhecer a Sra da DGFVACNS) e pagar mais 15€ e uns trocos.
E só pode vender coisitas usadas. Os tracejados do -2 não são. Se eu me decidisse a pagar este dinheirão todo e a perder tempo, paciência e sabe-se lá mais o quê, ia até pedir aqueles de vocês que, por acaso, compraram o tracejado que o trocassem por um novo, para eu poder vender o vosso usado na feira. Mas nã. Não me parece.

Rentrée

Visitei a Apolo 70. Fui para aqueles lados e aproveitei. Aproveitei para procurar o tracejado nas prateleiras. Não encontrei. Procurei melhor. Não encontrava. Ora bolas, pensei ou disse, se ele estiver à vista, já ninguém o quer; se não estiver, ninguém pode, sequer, não o querer. O meu livro tem direito a não ser querido. Penso eu, escrevo eu. Perguntei ao Sr da livraria se, de facto, como parecia, o meu livro não estava exposto nas prateleiras. Ele consultou o sistema e depois conduziu-me até à prateleira onde estavam intactos todos os cinco livros que lá deixei. Assim está bem.
Há muito tempo, quando escrevi no soalho a última vez, disse que tinha um plano, mau, mas um. Não vos posso dizer que funcionou; ou que não funcionou. A ideia era escoar. Mas não o apliquei… ainda. Parece cada vez mais um mau plano, mas isso não é suficiente para me demover. Hei-de voltar a este assunto e, independentemente do sucesso ser nulo ou tocar as franjas do miserável, eu conto.
A Câmara de Santa Comba nunca mais me disse nada. Mostrou-se disponível, eu enviei o material a ser usado na promoção do tracejado, e, que eu saiba, não aconteceu mais nada. Espero agora resposta à mensagem que lhes enviei perguntando qual era e onde estava o ponto da situação.